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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Você se lembra?

Tá bem guardadinho na minha memória, quando você chegou na escola. Com uma farda super vermelha que se destacava na sua pele branquíssima. Você toda tímida, com seu óculos pretinho. Quase todo mundo já se conhecia, menos você, que raramente dizia uma palavra. Eu já tinha meu grupo de amigos, mas foi inevitável se tornar a sua também. No início, eu lembro, que alguns tinham ciumes da minha amizade com você, mas eu simplesmente não ligava.
Eu passei a voltar naquele transporte escolar azul, do seu pai, com você. E a gente conversava de tudo, desde o exercício de Matemática ao tênis rosa da menina da 4ª série. Você morava a poucos metros da minha casa e, por isso, éramos as ultimas a sairmos da van, o que rendia altos papos.
Eu amava meu professor de Português, aliás, o melhor que eu já tive! "Tio Beto". Ele gostava muito de mim também, me achava uma aluna super aplicada e sempre me emprestava seus livros, pra eu xerocar. Ah, ele me chamava de 'lagarta listrada', e eu simplesmente, achava o máximo. Confesso que ouve uma época que morri de ciumes do Tio Beto com você. Afinal, ele tava te babando demais, e eu sentia que ele não ligava mais pra mim, era tudo drama da minha parte (e olhe que eu odeio). E essa foi a nossa primeira briguinha! Não só nossa, mas da sala inteira! Nós não adimitíamos o nosso professor favorito babando uma NOVATA! Mas a gente passou apenas uns dois ou três dias sem se falar. Era quase impossível ficar sem falar contigo, estudávamos na mesma sala, voltávamos na mesma van, morávamos praticamente uma em cima da outra!
Foi um ano intenso esse nosso, hein?! Eu vivia na sua casa, comendo os deliciosos bolos de tia Lúcia, e apesar de morar pertinho de você, sempre que dava, eu almoçava lá. Eu adorava ir na sua casa e brincar de ser 'doutora'. Pegava um folha de ofício, e fazia um formulário que você respondia, e eu assinava, dava autógrafos, depois pegava a chave do meu carro e dirigia até a minha casa. Então, era a sua vez de ser 'doutora'. Era engraçado o jeito que nós estudávamos, você lembra? Eu fazia um questionário pra você e você pra mim. Aí respondiámos e corrigíamos com direito ao visto e tudo mais. Eu lembro aquele dia que você passou a tarde lá em casa, e nós nos divertimos com a rede, balançando pra lá e pra cá, e na hora de lanchar, você, com vergonha da minha mãe (?) tomou um suco de acerola mesmo sem gostar! Hahah, bestinha! Eu que não tomaria um suco sem gostar, na sua casa!
Eu lembro também do dia em que você menstruou pela primeira vez. Menina, era uma super novidade, aquilo, pra mim, fiquei pasma! Foi na reunião de pais e mestres, em que eu fiquei lá na frente junto com meus amigos e você, toda adulta, no meio dos pais, sentada, ouvindo a diretora fazer aquele velho e chato discurso.
Até que um dia, a gente brigou. E nem foi pessoalmente. E por motivos muito bestas, deixamos de nos falar de verdade. Eu já tinha mudado de bairro, de escola. Pra mim ficaria mais fácil deixar de falar com você. Pra você talvez, não. Ou talvez sim.
Eu fiz novos amigos, e como fazia muito tempo, a nossa amizade já não me fazia tanta falta assim. Mas vê como é o destino! Voltamos a nos falar de novo, e a intensidade da amizade voltou. Nós voltamos a fazer as mesmas coisas (menos brincar de doutora, ahaha). Eu dormia na sua casa, fazíamos programas de amigas... E um que eu nunca vou esquecer, foi aquele dia que você e nossa outra amiga, foram lá pra casa. E nós fomos andando pro shopping, morrendo de medo, porque a rua tava deserta! Mas foi super divertido! Voltamos pra casa com meu pai, fizemos a maior zorra no quarto antes de dormir. No outro dia, fomos pro clube. Meu pai foi nos deixar lá e depois voltaria pra nos buscar. Ficamos a maior parte do tempo na piscina, comendo chocolate. Você lembra?
E agora, nós duas deixamos essa amizade esfriar tanto, talvez isso já fosse certo, até porque eu mudei de bairro, de escola e agora mudei de estado. Mas você ainda se fazia presente, porque namorava com meu amigo, e isso ajudava muito. Mas e agora?! Essa amizade não passa de marcas do passado? Não! Eu aprendi muito contigo, e pra mim, te conhecer não foi em vão! Viver tudo o que eu vivi, contigo, valeu muito a pena! Mesmo que agora, a intensidade da amizade não seja a mesma de cinco anos atrás, você tem um lugar muito importante dentro de mim, eu não abro mãos disso jamais. É, esse discusso tá bem clichê. Mas eu sei, que pra você, todas essas palavras soaram verdadeiras. Porque você viveu, você sentiu tudo isso.
Apesar de muitas vezes, eu não demonstrar, (oh, que novidade) eu amo você, viu?

6 Comentários:

Ada Lílian disse...

Que lindo e trsite ao mesmo tempo inha. História verídica né?
Espero que voltem ao normal, você escreve muuito bem. Beeijos.

Marie Raya disse...

Meu, que lindo!
Amizade é uma coisa tão incrível né?
Mas as que forem de verdade vencem obstáculos, tudo dá certo.
Achei incrível o post, beijoos :*

Anna Beatriz disse...

Quee texto lindo Inha! A cada dia me orgulho mais de você *-* Boom, espero que vocês duas voltem ao normal :*

Ada Lílian disse...

Inha, mandei um selinho para você no meu blog, vê lá. Beeeijos.

HNETO disse...

Lembranças da infância,
escolares,
nos acompanharão
eternamente.

milena disse...

MAAAAAAAAAY, que liiindo *-----*
tambm tenho muita saudades desse nosso tempo! muito emocionada aquii!
amo voc tambm, viuu? VERDADEIRAMENTE!

Você se lembra?

6 comentários
Tá bem guardadinho na minha memória, quando você chegou na escola. Com uma farda super vermelha que se destacava na sua pele branquíssima. Você toda tímida, com seu óculos pretinho. Quase todo mundo já se conhecia, menos você, que raramente dizia uma palavra. Eu já tinha meu grupo de amigos, mas foi inevitável se tornar a sua também. No início, eu lembro, que alguns tinham ciumes da minha amizade com você, mas eu simplesmente não ligava.
Eu passei a voltar naquele transporte escolar azul, do seu pai, com você. E a gente conversava de tudo, desde o exercício de Matemática ao tênis rosa da menina da 4ª série. Você morava a poucos metros da minha casa e, por isso, éramos as ultimas a sairmos da van, o que rendia altos papos.
Eu amava meu professor de Português, aliás, o melhor que eu já tive! "Tio Beto". Ele gostava muito de mim também, me achava uma aluna super aplicada e sempre me emprestava seus livros, pra eu xerocar. Ah, ele me chamava de 'lagarta listrada', e eu simplesmente, achava o máximo. Confesso que ouve uma época que morri de ciumes do Tio Beto com você. Afinal, ele tava te babando demais, e eu sentia que ele não ligava mais pra mim, era tudo drama da minha parte (e olhe que eu odeio). E essa foi a nossa primeira briguinha! Não só nossa, mas da sala inteira! Nós não adimitíamos o nosso professor favorito babando uma NOVATA! Mas a gente passou apenas uns dois ou três dias sem se falar. Era quase impossível ficar sem falar contigo, estudávamos na mesma sala, voltávamos na mesma van, morávamos praticamente uma em cima da outra!
Foi um ano intenso esse nosso, hein?! Eu vivia na sua casa, comendo os deliciosos bolos de tia Lúcia, e apesar de morar pertinho de você, sempre que dava, eu almoçava lá. Eu adorava ir na sua casa e brincar de ser 'doutora'. Pegava um folha de ofício, e fazia um formulário que você respondia, e eu assinava, dava autógrafos, depois pegava a chave do meu carro e dirigia até a minha casa. Então, era a sua vez de ser 'doutora'. Era engraçado o jeito que nós estudávamos, você lembra? Eu fazia um questionário pra você e você pra mim. Aí respondiámos e corrigíamos com direito ao visto e tudo mais. Eu lembro aquele dia que você passou a tarde lá em casa, e nós nos divertimos com a rede, balançando pra lá e pra cá, e na hora de lanchar, você, com vergonha da minha mãe (?) tomou um suco de acerola mesmo sem gostar! Hahah, bestinha! Eu que não tomaria um suco sem gostar, na sua casa!
Eu lembro também do dia em que você menstruou pela primeira vez. Menina, era uma super novidade, aquilo, pra mim, fiquei pasma! Foi na reunião de pais e mestres, em que eu fiquei lá na frente junto com meus amigos e você, toda adulta, no meio dos pais, sentada, ouvindo a diretora fazer aquele velho e chato discurso.
Até que um dia, a gente brigou. E nem foi pessoalmente. E por motivos muito bestas, deixamos de nos falar de verdade. Eu já tinha mudado de bairro, de escola. Pra mim ficaria mais fácil deixar de falar com você. Pra você talvez, não. Ou talvez sim.
Eu fiz novos amigos, e como fazia muito tempo, a nossa amizade já não me fazia tanta falta assim. Mas vê como é o destino! Voltamos a nos falar de novo, e a intensidade da amizade voltou. Nós voltamos a fazer as mesmas coisas (menos brincar de doutora, ahaha). Eu dormia na sua casa, fazíamos programas de amigas... E um que eu nunca vou esquecer, foi aquele dia que você e nossa outra amiga, foram lá pra casa. E nós fomos andando pro shopping, morrendo de medo, porque a rua tava deserta! Mas foi super divertido! Voltamos pra casa com meu pai, fizemos a maior zorra no quarto antes de dormir. No outro dia, fomos pro clube. Meu pai foi nos deixar lá e depois voltaria pra nos buscar. Ficamos a maior parte do tempo na piscina, comendo chocolate. Você lembra?
E agora, nós duas deixamos essa amizade esfriar tanto, talvez isso já fosse certo, até porque eu mudei de bairro, de escola e agora mudei de estado. Mas você ainda se fazia presente, porque namorava com meu amigo, e isso ajudava muito. Mas e agora?! Essa amizade não passa de marcas do passado? Não! Eu aprendi muito contigo, e pra mim, te conhecer não foi em vão! Viver tudo o que eu vivi, contigo, valeu muito a pena! Mesmo que agora, a intensidade da amizade não seja a mesma de cinco anos atrás, você tem um lugar muito importante dentro de mim, eu não abro mãos disso jamais. É, esse discusso tá bem clichê. Mas eu sei, que pra você, todas essas palavras soaram verdadeiras. Porque você viveu, você sentiu tudo isso.
Apesar de muitas vezes, eu não demonstrar, (oh, que novidade) eu amo você, viu?

6 comentários:

Ada Lílian disse...

Que lindo e trsite ao mesmo tempo inha. História verídica né?
Espero que voltem ao normal, você escreve muuito bem. Beeijos.

Marie Raya disse...

Meu, que lindo!
Amizade é uma coisa tão incrível né?
Mas as que forem de verdade vencem obstáculos, tudo dá certo.
Achei incrível o post, beijoos :*

Anna Beatriz disse...

Quee texto lindo Inha! A cada dia me orgulho mais de você *-* Boom, espero que vocês duas voltem ao normal :*

Ada Lílian disse...

Inha, mandei um selinho para você no meu blog, vê lá. Beeeijos.

HNETO disse...

Lembranças da infância,
escolares,
nos acompanharão
eternamente.

milena disse...

MAAAAAAAAAY, que liiindo *-----*
tambm tenho muita saudades desse nosso tempo! muito emocionada aquii!
amo voc tambm, viuu? VERDADEIRAMENTE!

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